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Dor crônica atinge a 30% dos brasileiros
Brasília, 05 (Agência Brasil - ABr) - A dor é um
sintoma benéfico, um sinal de que algo não vai bem com o corpo. Em
alguns casos, porém, prejudica a recuperação do paciente. A dor
crônica, por exemplo, aquela que persiste, em geral, por mais de
seis meses, precisa ser tratada de acordo com um conceito mais
amplo, que não só o da causa. É o que pregam os médicos dessa nova
corrente, que tomou força em várias partes do mundo após a 2ª Guerra
Mundial, devido às dores persistentes relatadas por
ex-combatentes. Estima-se, por exemplo, que 30% dos 160 milhões de
brasileiros sofram de algum tipo de dor considerada crônica, sendo a
maioria em decorrência de doenças crônico-degenerativas. A
lombalgia, ou seja, as dores na coluna, são maioria e representam
entre 30% e 40% dos casos. Em seguida, vem a dor de cabeça, ou
cefaléia, com 20%. As dores reumatológicas, nas articulações, estão
presentes em 10% dos casos. Dores do sistema ósseo-muscular
representam 7% dos problemas dolorosos e as dores ligadas ao câncer
são responsáveis por 5%. Os percentuais, somados, não resultam em
100% porque um grande número de pessoas sofre, eventualmente, de
mais de um tipo de dor. A questão ganha espaço no meio de saúde e de
trabalho porque os prejuízos são praticamente incalculáveis, devido
à subjetividade do assunto. No Brasil, pelo menos, não há dados
epidemiológicos precisos. O Canadá, único país cujo curso de
medicina inclui 11 horas exclusivas para o capítulo Dor, realizou um
levantamento que comprova a importância da prevenção. O tratamento inicial, por exemplo, custa US$ 500,
em nível médio custa US$ 6.800 e, nos casos cirúrgicos tem custo de
US$ 30 mil. Quando o problema chega ao nível da incapacidade
crônica, o tratamento foi avaliado em US$ 80 mil. Preocupado também com a formação profissional nas
diversas áreas da saúde, o pessoal do Programa de Dor enviou,
recentemente, ao ministério da Educação proposta de currículo que
inclui 15 horas da disciplina dor, inclusive no curso de
odontologia. Nos Estados Unidos, os gastos anuais do sistema de
saúde relativos a problemas de dor que pioraram é de US$ 89 milhões.
Se forem somados os custos indiretos são US$ 150 milhões. Esses
dados fazem parte de relatório elaborado pelo Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O documento aponta a Noruega
como modelo. O país investiu em melhorias ergonômicas em linhas de
montagem de suas indústrias e, com isso, obteve redução no número de
afastamentos do trabalho de 5,3% para 3,1% do tempo total de
produção. Outro ganho do país nórdico com esse investimento,
avaliado em 340 mil kroner (a moeda norueguesa), foi a diminuição da
rotatividade no trabalho que era de 30% e caiu para 7,6% ao ano.
Houve ainda redução de 3,2 milhões de kroner nos custos
operacionais, relativos aos próximos doze anos. Segundo informações do diretor do Centro de Terapia
de Dor e Medicina Paliativa da Fundação Amaral Carvalho (FAC),
Antônio Carlos de Camargo Andrade Filho, o custo de pacientes
terminais tratados num centro especializado na abordagem da dor e
dos cuidados paliativos é três vezes menor do que um paciente
mantido numa enfermaria comum. O hospital testou e avaliou as duas
formas de atendimento para chegar a essa conclusão. (Lana
Cristina) |